domingo, 25 de abril de 2010

SE ALGUMA HUMANIZAÇÃO HÁ…

As Ligas dos Amigos nos hospitais, organizações de voluntários, são a marca de água da humanização dentro das instituições hospitalares em Portugal. Se a mortalidade por negligência, erros técnicos e infecção hospitalar já é excessivamente alta em tais instituições, sê-lo-ia bem maior sem este inestimável contributo da sociedade civil. Supre em boa parte o inimaginável deficite em enfermeiros (apesar do desemprego crescente neste ramo profissional), em contraponto com a excessiva diferenciação (nos países de mais recursos é a enfermagem quem administra a alimentação aos doentes mais dependentes ou problemáticos), a baixa qualificação do pessoal auxiliar, a falta de vocação das empresas de catering para fazer o que aos sectores anteriores competiria, a impreparação de alguns gestores, querendo mostrar «bons» números (a assistência aos doentes portadores de HIV em Cascais atesta-o sem espinhas) e são o único amparo social e financeiro de muitos doentes.
Estão agora também nas urgências. Em hospitais onde as salas deste sector são armazéns de arquitectura técnica inconcebível, apinhados de gente, quantos doentes a acabarem com a vida de outros por via da infecção, do tosse para todo o ladoi, sem defesas, quanta agonia surda perante a indiferença cega e a paciência exaurida, os voluntários das Ligas de Amigos são o mais forte estímulo a que muitos sem esperança, já vencidos, se agarrem à vida e por isso sobrevivam.
São já IPSS em muitos casos. Mas passam invariavelmente despercebidas na comunicação social. As populações não têm a menor ideia da sua utilidade. Aliás, à dedicação como ao talento dá-se pouco valor entre nós. Nem mesmo assim esmorece quem tem vocação para servir. Cada vez mais numerosos e qualificados em todo o mundo, os voluntários da saúde são em Portugal um património moral incontornável.
No Hospital de Santo André em Leiria a sua Liga de Amigos reuniu agora em Assembleia Geral para aprovar Orçamento e Contas.
Henrique Pinto
(Presidente da Assembleia Geral da Liga de Amigos do Hospital de Santo André)
Abril 2010
FOTOS: Henrique Pinto, presidente da Mesa da Assembleia Geral; apresentação de contas para aprovação; aspecto da assistência

sábado, 24 de abril de 2010

MÁRIO SOARES «EM LUTA POR UM MUNDO MELHOR»

Com invejável frescura intelectual e a cultura, conhecimento e sensibilidade invulgares, para da síntese da história do século XX retirar ilações de futuro, Mário Soares vai apresentar a 30 de Abril no Centro Cultural de Belém o seu novo livro, «Em luta por um mundo melhor». O que será, seguramente, uma lição singular de filosofia política e de praxis social.
Vê-se em jornais, mesmo entre escribas jovens de idade (os jovens velhos), um conservadorismo no mau sentido, quase anti-social, umas vezes com afirmações grosseiras do tipo «já tem idade para ter juízo», devia «saber retirar-se a tempo», «só diz disparates», que necessidade tinha agora de «conspirar contra o apoio a Manuel Alegre», outras raiando a ofensa pessoal.
Se por um lado a esperança de vida aumentou substantivamente e as pessoas com avanço na idade têm cada vez mais espaço de vida intelectual, fruto da permanente actividade cerebral e social, o mais importante é que Mário Soares, com uma estrutura física e intelectual já de si notável, mesmo sem tais potenciadores, tem todo o direito a ter as opiniões e práticas que tem e quiser ter. E muitos portugueses lúcidos sentir-se-ão gratos por isso mesmo.
É por demais saudável poder apreciá-lo a nadar em águas que tão bem conhece, a usar a cultura (e não apenas o ar tecnocrático de praticamente todos os economistas encartados, de predições ahistóricas e incultas) como instrumento de análise social.
Henrique Pinto
Abril 2010
FOTOS: capa do novo livro de Mário Soares; Manuel Alegre (caricatura KAOS)

C10H14N2

C10H14N2 é um título pouco vulgar uma peça de teatro. Encena-a o TE-ATO, Grupo de Teatro de Leiria, pela mão de Ana Rita Santos – um texto de Sandra José -, numa produção de Maria Manuel Rocha Marques. A sala pequenina, construída a pulso pelo grupo e a ostentar o nome do principal dos autores ali representados, Jaime Salazar Sampaio, encher-se-á tantas vezes quantas as necessárias, para ver a representação de João Lázaro.

Todas as formas de expressão artística são um contributo para a emancipação da espécie humana enquanto seres que criam, inovam, recusam estereótipos de pensamento e expurgam o vício e a dependência física e psíquica como modos de vida.
A estreia está aprazada para hoje à noite pelas nove e meia

Henrique Pinto
Abril 2010
FOTOS: o encenador/escritor/actor João Lázaro; simbolo do TE-ATO, Grupo de Teatro de Leiria; o dramaturgo Jaime Salazar Sampaio e o Teatro Independente de Loures

A PARÁBULA DE SANDRA BULLOCK

O filme Um sonho possível, Globo de Ouro como película e motivo para Sandra Bullock receber o mais que merecido Óscar de melhor actriz - ela que há anos produz as suas próprias obras numa incessante busca de perfeição -, é uma agradável metáfora sobre o amor e a solidariedade.
As pessoas menos atentas generalizam estereótipos infelizes sobre grande parte dos cidadãos americanos. Quem tem estatuto e sabe alguma coisa continua a sonhar ir a Paris, como nos anos 40-50. Afinal, é certo que o país é grande e populoso, rico, nem todo está na mão dos chineses, e os per capita têm valores altos para o que quer que seja. Et pour cause, também na solidariedade internacional, os cidadãos americanos organizados em torno de clubes de serviço e ONG são os maiores contribuintes do mundo, em dinheiro e trabalho voluntário, em prol do seu semelhante sofredor.
Aquele sonho possível foi o tornar feliz e independente uma criança negra, nascida em ambiente deplorável - o ódio, a miséria, o desemprego, o álcool e outras dependências, o crime -, mediante a sua adopção natural por uma família de classe média branca, educada, sem problemas em ter filhos. A ternura não piegas, quase racional, sem tiques de melodrama, marca o desempenho espantoso de Sandra num filme motivador de esperança.
Henrique Pinto
Abril 2010
FOTOS: Sandra Bullock;

EU DISSE A JOSÉ SÓCRATES…

Há uns anos, estava ainda o primeiro-ministro José Sócrates no Ambiente, disse-lhe em ar informal, respeitoso, «os seus directores gerais e regionais nunca o defenderão em qualquer política, fazem o que bem entendem, continuam encostados ao status quo de interesses instalados».
Lidei por dentro com este horror, as acções lesivas da saúde humana por banda dos atropelos ao ambiente tinham sempre cobertura oficial, por conta da «sobrevivência dos sectores económicos». Cheguei a questionar-me: quantos suínos de engorda vale uma vida humana? Fartei-me!
E a verdade é que praticamente nenhum desses «líderes» do ambiente deu a cara mesmo pelas causas paradigmáticas e boas do ministro José Sócrates. Ou porque estavam em Coimbra e Manuel Alegre podia considerar o «ambiente sem pó de cimento» uma afronta à cidade. Ou porque Lisboa é muito perto do poder e qualquer queixa de «boa gente» faz mossa…
A morte de dois adolescentes numa lagoa da área de extracção de areias no Concelho de Sintra – soube de muitas outras semelhantes aqui e ali - vem mostrar-me, dez anos depois daquele clima «protector», que o laxismo continua exactamente como dantes.
O novo Shopping de Belmiro de Azevedo em Leiria, onde a saída dos cinemas ou da FNAC pode redundar num choque com «imperiais e pizzas», tal o espaço apertado, mais adensa os meus pensamentos sombrios a este respeito.
Henrique Pinto
Abril 2010
FOTOS: o primeiro-ministro José Sócrates em «joggimg» na Madeira; a Lagoa dos Salgados, Algarve; a beleza da sua fauna, em dia de chuva

O ARMAZÉM DA CULTURA

Miguel Sousa tocou no Armazém das Artes em Alcobaça. A música de Bethoven, Chopin, Shubert, Vianna da Motta e Liszt enfeitiçou a noite. Estão de parabéns os meus amigos, e por mor das razões o José Aurélio, que entregaram parte do corpo e da alma àquele espaço de espiritualidade, beleza, fascínio, pedagogia e futuro.
Em Leiria o André Ferreira, prémio Russel na guitarra, deu recital no Miguel Franco. Que semana para lembrar!
Henrique Pinto
Abril 2010

CARLOS LANÇA, A ROTARIAN FOR ALL SEASONS

Working in the field for polio eradication

June 2002, D 1970 Governor’s tasks transmission ceremony

July 2002, Porto Foz, Carlos Lança, the mayor Rui Rio and Henrique Pinto. It was my first Reception Dinner as a RI District Governor in Portugal
July 2002, Angola, Carlos Lança and an UNITA Major, Peace is not the opposite of war

September 2002, Matosinhos, Portugal, Reception Dinner to Nicinha and Gerson Bersanette (Brazil), Membership Seminar

November 2002, Mozart House, Salzburg (Rotarian Institute)

November 2002, Salzburg Castle, with Isabel Lança, Henrique Pinto and Daniel Navarro (Spain), a Rotarian Institute
May 2003, Coimbra University, District Conference Closing Ceremony, with PPRI Carl-Wilhelm Stenhammar, Carlos Lança was an outstanding steering committee member

May 2003, Coimbra University, D 1970 Conference, Carlos Lança was distinguished with the District Merit Award
June 2003, Chartering the RC Bragança, the more isolated in the Portuguese territory, a Carlos Lança hard initiative. Someone told the audience, «RI took 100 years to arrive at Bragança».

Carlos Lança, a man of values, affections and universality, a misanthrope and a great contemporary painter

The struggle against polio took an important place in the way Carlos Lança faced Rotary: non technocratic; a field to use the culture as an instrument for peace; tolerance and ethics as non artifacts
Henrique Pinto
April 2010