sábado, 28 de janeiro de 2012

A CATÁSTROFE HUMANA NA SAÚDE

«Os casos de infecção hospitalar atingem um décimo dos internados», publicou-se há dias como versão oficial. Há gente no governo capaz de entender a gravidade desta situação e de, mau grado a carestia, fazer alguma coisa.
Claro que não é um fenómeno tipicamente português mas também não pode ser verdade que «com o mal dos outros» possamos nós bem.
Vejamos, num artigo do British Medical Journey 2011 escrevia-se que «os médicos alemães cometem muitos erros de prescrição». Ora este problema também é transversal.
Somemos os mortos por uma e outra causas e talvez possamos perceber a catástrofe resultante da ineficiência humana na saúde.
Henrique Pinto
Janeiro 2012
FOTO: Cirque du Soleil em Alegria, Lisboa 2011

É CHEGADO O MOMENTO DOS DOENTES

Fernando Leal da Costa, secretário de Estado adjunto do ministro da saúde, afirmou na conferência sobre «Fundamentos éticos nas prioridades em saúde» que «é preciso lembrar que as associações de doentes podem ser capturadas por interesses industriais». O presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, Miguel Oliveira da Silva, defendeu que «Portugal deve deixar de respeitar as patentes da indústria farmacêutica caso a falta de dinheiro comprometa o tratamento dos doentes e salientou que subsistem muitos desperdícios no nosso SNS, exemplificando com a prescrição de mamografias desnecessárias ou exames complementares de diagnóstico repetidos», vendo «chegado o momento dos doentes».
Adalberto Campos Fernandes reiterou o termos que «ultrapassar a limitação de sermos avessos a avaliações».
In Ordem dos Médicos Dez. 2011

A TRIAGEM NAS URGÊNCIAS HOSPITALARES

A Triagem de Manchester, que desde há dez anos se vulgarizou nas nossas urgências hospitalares para domar a fera corporizada no boom da afluência às urgências, tem as suas ineficiências, a começar no número de horas de espera superior ao previsto e nos erros de avaliação, feita em regra por um profissional não médico.
O Dr. Caldeira Fradique, ex-director do Serviço de Urgência do Hospital São José em Lisboa, diz-nos da experiência que promoveu naquela instituição com um sistema de triagem de doentes original baseado numa avaliação clínica sumária, à chegada ao serviço, precedendo qualquer acto administrativo, de que resultou o retirar do balcão geral 42% dos doentes e, assim, encurtar em várias horas o tempo de atendimento para todos.
Aplaudo vivamente os resultados logrados pelo meu colega. Mas julgo que tal não lhe permite concluir que a inoperância das urgências seja maior nos países de regimes de saúde ditos beveridgianos (e lá vêm as conexões ao Estado Providência!) que nos de Seguro Social Obrigatório à maneira Bismarkiana.
Henrique Pinto
Janeiro 2012
FOTO: Caldeira Fradique

O ESTADO SOCIAL NÃO MORRERÁ MESMO QUE O MATEM!

O Estado Social não morrerá! Mesmo que o matem. De facto recorda-me o «no pasáran!», valor normativo que tenho como exemplo de convicção e que, neste nosso tempo, parece estar a ficar esquecido.
Dizem alguns que o Estado Social já morreu; outros afirmam que o Estado Social está ultrapassado pelo que morrerá em breve; e outros ainda, muitos ao que parece, dizem que o Estado Social não é viável porque não se adequa a esta fase do desenvolvimento colectivo. Pelo que ouvimos, pelo que lemos, podemos afirmar que são muitos os que se julgam acreditados para emitirem tais juízos.
Pergunto-me porquê?
Porque conhecem a História? Porque são Profetas? Porque são cientistas Sociais? E porque não por terem algum interesse em o afirmarem? Talvez por serem Sábios? Ou porque etc…
É minha convicção que o que se esconde por detrás deste catastrofismo é o desejo, ou a convicção da sua inevitabilidade, de aniquilar o que julgo ser a mais espantosa criação do Homem.
A única que lhe permite afirmar-se diferente dos outros animais.
M.M. Camilo Sequeira
Chefe de Serviço de Medicina Interna
In Ordem dos Médicos Dez. 2011

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

EM EVIDÊNCIA POR BOAS RAZÕES

Chega sempre a nossa hora. O José Ribeiro Vieira partiu, como se esperava. Militar de Abril, deixou marcas indeléveis por onde passou, em tudo onde mexeu, em todos com quem conviveu. Mal de quem nada se diz, daqueles certinhos, incontroversos! O José não era desses. Interventor social a variadíssimos níveis, político sem lugares, empresário de sucesso, dirigente do associativismo empresarial, agricultor com pergaminhos, livreiro, director e editor de jornal, homem culto, amigo do seu amigo, marcou o seu tempo à sua maneira. Tive o privilégio de me ter convidado para dirigir (graciosamente como todos os meus empenhos sociais e culturais) o relançado Jornal de Leiria. Entrei para Rotary quando ele presidia ao clube de Leiria pela mão doutro nosso grande amigo, o saudoso José Neto. Em sua casa das Cortes privei com muitos dos seus amigos e ganhei outros tantos, do general Eanes ao Eng. Narciso Mota por exemplo. Os seus familiares são meus bons amigos. Juntos apoiámos a candidatura da Dra. Isabel Damasceno à Câmara de Leiria. Um dueto do OLCA, Neuza Bettencourt e Ilda Coelho, tocou no seu funeral. A instituição recordará sempre o seu papel de mecenas da cultura, interessado. Foi, seguramente, das personalidades mais em evidência na região, por boas razões, nas últimas décadas.
Henrique Pinto
Janeiro 2012
FOTOS: José Ribeiro Vieira e as filhas; José Ribeiro Vieira

CONDIMENTOS DA FELICIDADE

O que não muda envelhece. O que envelhece quando é possível evitá-lo, morre depressa. Por isso mesmo, porque o rumo desejado é diametralmente oposto à acomodação, o Coro do Orfeão de Leiria tem agora um novo maestro. É necessário construir um coral adequado aos tempos, versátil, rejuvenescido sem cisões, parte da engrenagem institucional, entrosado e nutrido nos coros da casa, com um repertório e uma qualidade vocal que o singularizem na primeira divisão do universo coral. E que lhe possibilitem a competitividade nos grandes eventos nacionais e internacionais, de maior exigência, ágil a capella como nas formações de coro e orquestra. Não é tarefa fácil. Mas foi este o desafio lançado ao maestro João Branco.
O Maestro João Branco, de 33 anos, natural de Torres Novas, com o curso superior de violino do Conservatório Nacional e mestrando em direcção coral na Universidade Nova de Lisboa, licenciado em direito, novo director do Coro do Orfeão de Leiria e professor da EMOL, assume assim também a direcção do Coro de Câmara.
O canto coral sempre foi a grande paixão de João Baptista Branco. Colabora numa base regular (como maestro, cantor, director artístico ou júri) com instituições como o Orfeão de Leiria, Chorall Phydellius, Coro Polifónico de Almada, Coro Stella Vitae, Voces Caelestes, Fundação Calouste Gulbenkian, Officium, Coro de Santo Amaro de Oeiras, World Youth Choir e os festivais “Cantar Liberdade” e “Outonalidades”. Baseando sempre o seu trabalho na procura exaustiva da cultura do som, realizou mais de 1000 concertos em Portugal e no estrangeiro, contando várias gravações de CD`s e transmissões em directo ou diferido para a rádio e televisão.
É hoje cada vez mais frequente encontrarem-se grandes músicos profissionais entre médicos, advogados, grandes gestores e até políticos. O Estágio Internacional de Orquestra do OLCA é prova disso. Conheço várias destas pessoas pelo mundo fora. É um novo paradigma civilizacional.
O professor João Branco será pois, nos próximos anos, mais uma das vedetas artísticas e na pedagogia, na região, seguramente a deixar a sua marca indelével, a marcar o seu tempo. São condimentos assim – porque tal opção tem o meu empenho, obviamente – que me deixam mais feliz.
Henrique Pinto
Janeiro 2012
FOTOS: Maestro João Branco; Coros e Orquestra; Henrique Pinto; Coro de Câmara; Coro e Orquestra com Rodrigo Queirós



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A Lista A apresenta-se ao sufrágio dos associados do OLCA essencialmente no sentido de assegurar a continuidade e constante melhoria dos serviços prestados, sem quebras no desempenho, e de continuar a fazer face, vencendo como até agora tem sucedido, às dificuldades de gestão provocadas pelo incumprimento do Estado, desde Janeiro 2011, das responsabilidades contratualmente assumidas.
E no entanto há uma renovação substantiva na composição do elenco directivo agora a sufrágio. Este propósito radica na necessidade institucional de rever as suas concepções em termos de: planeamento estratégico; diversificação do financiamento; fortalecimento da qualidade escolar e artística; redimensionamento institucional; melhor comunicação externa e interna; sistematização mais eficaz da imensa produção artística reforçando-lhe o impacto público; reforço da qualidade coral pela manutenção na primeira divisão dos corais portugueses, algo muito difícil nos dias de hoje, de molde a poder-se competir nos melhores concursos e eventos nacionais e internacionais.
E esta renovação, acompanhada duma baixa na idade dos directores, que abarca pessoas com experiência qualificada na gestão escolar (que tem uma componente financeira crescente), no planeamento, tendo em conta o aprimorar da gestão por objectivos, na gestão financeira, no financiamento através do mecenato e da produção de serviços (escolares, artísticos, culturais), na coordenação de actividades e pessoas, assegura ainda uma continuidade e transição qualificada na instituição, por decalque dos bons exemplos nesta área, nomeadamente o dás últimas décadas da Fundação Calouste Gulbenkian.
O OLCA é uma das instituições culturais mais prestigiadas do país e tem as escolas com um volume global de alunos e disciplinas mais amplo, desiderato só conseguido com uma incansável diplomacia da cultura, absolutamente transversal nas comunidades. Um estatuto que foi particularmente reforçado ou conseguido nas últimas três décadas por via dum empenho extraordinário e duma dedicação inexcedível dos seus dirigentes. Um ganho conseguido também pelo facto de as estruturas públicas e privadas da economia e da administração se reverem na Obra produzida no OLCA, pelo sentimento de que o prestígio do OLCA contribui para o prestígio de quem ali trabalha e aprende, do empenho generalizado para a reflexão sobre os caminhos da melhoria contínua, da dedicação e polivalência da maioria de quantos nele trabalham, bem como pelo bom ambiente geral.
O OLCA é uma Associação e não uma Fundação. No contexto actual tal dissemelhança é particularmente relevante. Por isso mesmo uma associação desta natureza carece ainda mais que quaisquer outras da atenção pública que os seus associados lhe manifestem, porquanto tem de dirimir milhentas questões, desde o financiamento à sobrevivência de algumas das suas componentes, num cenário nacional e internacional de pessimismo, próprio para gerar anticorpos à cultura. A melhor forma no momento dessa atenção dos associados produzir efeitos rápidos e pertinentes, é votarem nos seus Corpos Sociais, assim os motivando e mais os credibilizando para a tarefa muito árdua que ora se propõem enfrentar assumindo riscos.
Henrique Pinto
Janeiro 2012

FOTOS: Henrique Pinto; paisagens da Figueira da Foz; abertura solene do ano lectivo 2011-12; paisagem Figueira da Foz