sábado, 24 de outubro de 2009

OS MAGNÍFICOS (6)


Um volume informe de trabalho aparecia agora pela frente. Nenhuma organização podia levar a cabo um tal projecto apenas pelas suas próprias mãos. Rotary fez equipa com a OMS, o UNICEF, e mais tarde com o CDC. Gradualmente estas organizações vieram a reconhecer Rotary como um parceiro valioso e de confiança. O staff» era treinado na sede de RI em Evanston, Chicago, e novas comissões iam sendo formadas unicamente para focar o que dentro em breve seria rebaptizado como Campanha PolioPlus.
Havia dois grandes desafios a enfrentar no imediato por Rotary. Primeiro, conseguir arranjar a quantia de US$120 milhões. Uma Comissão internacional da Campanha PolioPlus presidida por Leslie Wright, de Birmingham, Alabama, organizou a recolha de fundos à escala mundial. Seria uma experiência de franca aprendizagem a todos os níveis de Rotary. Walter Maddocks, das Bermudas, antigo governador de distrito, tornou-se director da campanha. Jack Blane, de Wheeling, Illianois, também ex governador de distrito, que era coordenador internacional executivo da campanha, apoiou-o. Ambos trabalharam a tempo inteiro na campanha durante dois anos como voluntários não pagos.
Eles superintenderam a 44 comissões nacionais e multinacionais, e a 11 coordenadores internacionais, os magníficos como ficaram conhecidos. Um deles foi Marcelino Chaves, ex governador do distrito Portugal, mais tarde director de RI. Por sua vez aqueles rotários providenciaram orientação e direcção a 84 coordenadores nacionais e foram o principal contacto para os 450 presidentes PolioPlus distritais. Dentro de cada distrito cada conjunto de 7 clubes foi afectado a um dos 3300 coordenadores de área, que eram a ligação a mais de 20000 presidentes PolioPlus ao nível de clube. Foi uma estrutura que rivalizou com muitos dos mais elaborados planos de batalha dos mais famosos generais.
Todo o planeamento alcançou o clímax com o anúncio público da Campanha PolioPlus em Nova Iorque a 10 de Julho de 1987. O então presidente de RI Charles Keller e a sua equipa de 467 governadores em todo o mundo fizeram da campanha a sua prioridade. A actividade engenhosa da campanha e a prática normal dos distritos foram de alguma forma integradas.
Logo que a campanha foi lançada foram treinados voluntários seniores para apelar a grandes dádivas financeiras. Algo que Rotary nunca tinha feito nos seus 84 anos de história. Apesar da sua relutância inicial eles «seguiram o plano». E o rotário W. Clement Stone, de Chicago fez uma doação de um milhão de dólares. O rotário australiano Les Whitcroft, que liderou a Campanha PolioPlus no seu país, e a sua mulher Shirley – ela mesma uma sobrevivente da polio – fizeram um donativo de US$250 000.
Gradualmente os rotários começaram a reconhecer que estavam envolvidos num acontecimento que iria fazer história. Nunca antes Rotary embarcara num projecto mundial. Nunca antes eles se tinham proposto angariar US$120 milhões. Nunca até aí tinham emparceirado com Agências de tanta visibilidade como a OMS, o UNICEF e o CDC. A partir daí Rotary não voltaria a ser o mesmo do passado recente.
Henrique Pinto
Setembro 09, no Dia Mundial da Polio
FOTOS
: Marcelino Chaves foi um dos magníficos do mundo na primeira recolha de fundos para a polio, aqui na Curía (Portugal), 2002, ladeado por Alceu Vezozzo; Mat Capares, presidente de RI em 1986/7, perguntava-me sempre «e o Marcelino?!»

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