sábado, 24 de outubro de 2009

UMA OUTRA VERDADE (1)




As noções preconcebidas são tão poderosas! Não raro, a mente bloqueia a incongruência e sobrepõe-se aos olhos. O que é frequentemente mais danoso para a credibilidade daquilo que temos por verdade do que a ignorância por si mesma. Rotary International e seus ilustres parceiros no mundo estão à beira de conseguir uma das maiores conquistas de sempre para o bem-estar da humanidade. Entendo pertinente prestar o meu modesto tributo a esse esforço e aos seus artífices, servindo-me como principal fonte informativa, entre outras, do importante documento Um Século de Serviço, A história de Rotary International.
Na primavera de 1972 Charles Rowlands, então governador do distrito rotário 730, da Pensilvânia, e o seu sucessor Niles Norman, assistiram a uma sessão do Rotary Club de Oakland na secção de Pittsburgh, nos Estados Unidos. As palestras sobre serviços profissionais são de longa tradição em Rotary. Nesse âmbito e nesse dia era a vez do presidente eleito do clube em vésperas de assumir o lugar, o Dr. Robert Andrew Hingson, contar a história da sua carreira.
Hingson tinha inventado aquilo a que chamou uma «arma de paz» e explicou ao clube como é que podia ser usada com doses múltiplas de vacina injectável para depois imunizar um largo número de pessoas infinitamente mais depressa do que com o método da seringa tradicional. A OMS tinha usado esta arma com sucesso na imunização de massas contra a varíola. O Dr. Jonas Salk, nascido há 96 anos em Nova Iorque, contando 41 anos à altura, e a sua equipa de investigadores, deram ao mundo a primeira vacina contra a polio libertando milhões de famílias da asfixia do medo nos dias que se sucedem infindos. A vacina de Salk para a polio então prevalente era injectável. A ideia da imunização de massas contra a poliomielite começava de facto aqui.
A história dos grandes desafios sempre fascinou o homem. As pirâmides do Egipto ou a Grande Muralha da China como as centenas de estátuas gigantes da Ilha de Páscoa na Polinésia impressionam ainda hoje sábios e incréus só pelo facto de ter sido possível erguê-las. A Obra marítima do Infante D. Henrique, os feitos de Vasco da Gama, de Fernão de Magalhães ou Cristóvão Colombo, tocam-nos pelo arrojo face aos recursos da época. Mas já Gavin Menzies, polémico obviamente, nos suscita mais admiração com o livro 1421, O Ano em que a China Descobriu o Mundo, ao evocar a longa navegação da armada de Zheng He por todos os continentes um quarto de século antes dos feitos da marinhagem ibérica. Encontro neste espírito empreendedor e em tamanho arrojo no desconhecido, mais do que ao do viajar no espaço, muitas semelhanças com o que viria a ser o envolvimento na Saga da polio.
Henrique Pinto
Setembro 09, no Dia Mundial da Polio
FOTOS: O Dr Jonas Salk, com a sua equipa, produziu a primeira vacina contra a polio, então injectável (aqui imunizando uma criança); a proeza da Saga da Polio não é de somenos face às descobertas dos portugueses e de Critóvão Colombo (na foto), nem mesmo em relação às das armada de Zheng He, descritas por Gavin Menzies no livro 1421 (capa na foto)

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