quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O MEU DOUTOR


Ao dar ao mundo o seu livro Ao Encontro de Espinosa, o mais mediático dos médicos portugueses, António Damásio – pioneiro e, quiçá, um futuro Prémio Nobel – avança com conjecturas que poderão modificar princípios há muito estabelecidos. A ideia de os sentimentos poderem ter uma origem eminentemente física, susceptível de modificar radicalmente até áreas filosóficas e comportamentais como a Ética, maravilha-nos pelo arrojo e pelo alcance. Um outro português de sangue, Greg Mello, americano de nascimento, foi agora Nobel da medicina numa área de investigação conexa.

Aliás, Portugal sempre teve grandes médicos conhecidos mundo fora. Temos serviços de saúde acessíveis a todos e alguns deles de superior qualidade. Mas há inconsistências organizativas resistentes a qualquer cosmética cuja alteração de substância se torna cada vez mais difícil.
A dissociação da arte de curar em dois ramos, a medicina e a cirurgia, vem do final do século XIII. O médico é então um letrado e um sábio que busca a sua ciência nos livros mais do que na observação do doente, inscrevendo-se o seu foro nas «artes liberais». O cirurgião é um prático que por indicação do médico faz sangrias, abre os abcessos, trata das feridas e das fracturas. Coloca-se socialmente ao lado dos barbeiros, situação que suporta mal. Quando se recusa a «barbeirizar-se» e ganha títulos universitários depara com a oposição não só dos cirurgiões barbeiros, ditos de bata curta, mas também com a dos médicos, inquietos com esta promoção a seus olhos escandalosa.

Como em muitas outras profissões a ironia desta história não perdeu miolo com o tempo. Um país desenvolvido como Portugal continua a ter, apesar de tudo, uma medicina hospitalocêntrica exuberante, perceptível até no discurso de ministros e deputados, que é um estigma dos países subdesenvolvidos. A criação das Unidades de Saúde, por Luís Filipe Pereira e Correia de Campos, chegou muito tarde.
Há poucos anos fui co-autor de legislação regulamentadora da Lei de Bases da Saúde. Cedo me apercebi que os avanços efémeros em matéria de saúde pública estavam irremediavelmente condenados. Quando hoje vejo que, nomeadamente a nível regional, são as mesmas pessoas de sempre que dirimem os problemas da saúde pública em Portugal – quando os governos, quaisquer que sejam, têm a tendência a mudar até os porteiros, o que eu acho lamentável – convenço-me que este ramo da saúde nada diz aos poderes e poucos serão os interessados em alterar este estado de coisas.

Um exemplo claríssimo reside no facto de Portugal não fazer vigilância sistemática sobre qualquer produto alimentar. É grave e os portugueses desconhecem-no! Quis-se dotar o país com uma agência da qualidade alimentar, douta recomendação da União Europeia. O que seria óptimo se esta criação viesse a funcionar com efectividade. Mas a ASAE estava já a a ter bons resultados e por via disso a incomodar muita gente, se bem que a ganhar contornos militaristas. Cortou-se-lhe o gás! Acabou-se com o exíguo mecanismo de controlo existente. Tanto pior quanto às autoridades de saúde não foi possível atribuir capacidade dissuasora e a inspecção económica está em definitivo condenada a avaliar a contrafacção de camisolas pelos ciganos. Quando antes melhor ou pior ambas as instituições se completavam preenchendo o vazio que ora voltou a imperar.
Bem gostaríamos se uma ou duas andorinhas fizessem a primavera. Portugal é dos países mais atentos e seguramente melhor preparados no respeitante à gripe H1N1. A tal não é alheia a circunstância de ter uma excelente pediatra e médica de saúde pública com capacidade política, Ana Jorge, independentemente de ser ministra, a dirimir a questão. Nem a tal é estranho o termos um dos melhores directores gerais da saúde de sempre, Francisco George.
Dentro de poucos anos também não haverá médicos de família. O mesmo mecanismo corporativista da emancipação dos cirurgiões, mas agora com a cumplicidade dos ministérios da saúde (e educação, depois ensino superior), advinda duma impotência crescente, prolongou o numerus clausus nas universidades para além do limiar de perigo. Valer-nos-ia o facto de haver milhares de médicos espanhóis e italianos desempregados (a carência médica voltou a estes países, precisam dos seus profissionais e pagam melhor), e depois os dos novos países comunitários, que os portugueses aceitarão com uma dose maior ou menor de chauvinismo.
Mas é ainda a mesma perspectiva apressada que leva a que a situação evidente requeira, por regra, o iniciar o diagnóstico pela tecnologia de ponta – como se alguém curasse imagens digitais em vez de pessoas –, e quase se abandone em definitivo o apalpar dum corpo doente e quantas vezes a solução óbvia ou a visão do irremediável que tal palpação mostra.
Ao lidarmos com a emigração portuguesa no mundo, quando nos dizem «eu voltava sim, mas o meu doutor! Como é que passo sem o meu doutor?» vem-nos o arrepio da espinha, um desencanto frio.

Henrique Pinto


Setembro 09

Adaptado de texto homónimo in Diário de Leiria 2009

FOTO: Francisco George, um dos melhores directores gerais da saúde de sempre em Portugal

GLOBAL HAND WASHING DAY CELEBRATED WORLDWIDE




15 October marks the annual Global Hand Washing Day, aimed at increasing awareness and understanding about the importance of hand washing with soap as an effective and affordable way to prevent diseases.
Building on a hugely successful inaugural Global Hand Washing Day in 2008 – in which over 120 million children around the world washed their hands with soap in more than 70 countries, this year it is anticipated that millions of children across five continents will celebrate Global Hand Washing Day again.
Around the world, children, teachers, parents, celebrities and government officials, plan to mobilize and motivate millions to lather up in order to reduce life-threatening diseases, such as diarrhea and acute respiratory infections.
Children suffer disproportionately from diarrheal diseases – with more than 3.5 million children under five dying every year from diarrhea and pneumonia-related diseases.
The simple act of washing hands with soap can reduce the incidence of diarrheal rates among children under five by almost 50 per cent, and respiratory infections by nearly 25%.
Under the slogan «Clean hands save lives», the driving theme for Global Hand washing Day is children and schools.
Children acting as agents of change, take the good practices of hygiene learned at school back into their homes and communities.
The active participation and involvement of children, along with culturally sensitive community-based interventions aim at ensuring sustained behavior change.
Hand washing with soap – particularly at critical moments, including after using the toilet – is a key cost effective and life-saving intervention.
Research in several developing countries illustrates that lack of soap is usually not the barrier – with the vast majority of even poor households having soap at home – rather, the problem is that soap is rarely used for hand washing.
Global Hand Washing Day was initiated in 2008 by the Global Public-Private Partnership for Hand Washing with soap, and it is endorsed by a wide array of governments, international institutions, civil society organizations, NGOs, private companies and individuals around the globe.
In http://www.globalhandwashingday.org/
RI World Resources Group for Health and Hunger
Information by Richard Hattwick and Safina Rahman, USA

PHOTOS: Poor Children; Meinrab Busslinger and Julio Sorjuz, from Spain (hidden image), Ed Futa, RI Secretary Genneral, Örsçelik Balkan and Safack Alpay (Turkey), Manuel Cardona and Henrique Pinto (during his speech), from Portugal, and Doros (Ciprus), Lisbon Institute 2007

DIA DA LAVAGEM DAS MÃOS CELEBRADO NO MUNDO INTEIRO




O 15 de Outubro assinala a celebração anual do Dia Mundial da Lavagem das Mãos, objectivada com a intenção de aumentar a consciência e a compreensão acerca da importância da lavagem das mãos com sabão como um meio eficaz e não oneroso de prevenir doenças.
Raciocinando sobre o Dia Global da Lavagem das Mãos de 2008, francamente bem sucedido – no qual mais de 120 milhões de crianças à volta do mundo lavaram as suas mãos com sabão em mais de 70 países -, podemos antecipar que neste ano milhões de crianças nos cinco continentes celebrarão de novo o Dia Mundial da Lavagem das Mãos.
À volta do mundo, crianças, professores, pais, pessoas famosas e responsáveis governamentais, planeiam mobilizar e motivar milhões a ensaboarem-se, de modo a reduzirem as ameaças à vida por doenças como a diarreia e respiratórias agudas.
As crianças sucumbem desproporcionadamente de doenças diarreicas – com mais de 3,5 milhões de crianças de menos de cinco anos de idade a morrerem todos os anos de diarreia e doenças relacionadas com a pneumonia.
O acto simples de lavar as mãos com sabão pode reduzir a incidência dos ratios de diarreia entre as crianças de menos de 5 anos de idade para quase 50% e das infecções respiratórias em aproximadamente 25%.
Sob a consigna «Mãos lavadas salvam vidas», o tema base para o Dia Mundial da Lavagem das Mãos está nas crianças e escolas.
As crianças actuando como agentes de mudança, levam as boas práticas da higiene aprendidas na escola para as suas casas e comunidades.
A participação activa e o envolvimento das crianças em intervenções culturalmente sensíveis de base comunitária, tem por objectivo assegurar mudanças comportamentais sustentáveis.
A lavagem das mãos com sabão – particularmente em momentos críticos, incluindo os depois do uso da casa de banho – é uma intervenção chave, salvadora de vidas e de bom custo-efectividade.
A pesquisa em vários países em desenvolvimento ilustra que a falta de sabão não é habitualmente a barreira – até com a vasta maioria de habitações pobres tendo sabão em casa -, mais do que isso, o problema está em que o sabão é raramente usado para a lavagem das mãos.
O Dia Mundial da Lavagem das Mãos foi iniciado em 2008 pela Parceria Público-Privado Mundial para a Lavagem das Mãos com sabão, e é apoiado por uma ampla ordem de governos, instituições internacionais, organizações da sociedade civil, ONGs, companhias privadas e cidadãos à volta do globo.
Grupo de Recursos Mundial para a Saúde e Fome

Informação de Richard Hattwick e Safina Rahman, EUA

FOTOS: Julia Roberts, actriz americana, envolvida em campanhas de apoio ao bem estar das crianças; II Encontro de Rotários de Língua Portuguesa, Tomar, Portugal 2005

sábado, 26 de setembro de 2009

DIA LUMINOSO


Todas as localidades têm céu ou mar diferentes apenas por a luminosidade e as concentrações de água ou de químicos também divergirem. Quando o céu está limpo em Leiria, entre o meio-dia e o começo da tarde, o céu adquire uma tonalidade de azul muito bela, única.
Foi assim também neste sábado de chamada reflexão para as eleições, uma jornada que, tal como o método eleitoral, já deixou de fazer sentido. As televisões europeias dão a toda a hora os resultados das sondagens para Portugal. Pelo mundo fora sabe-se de algumas ilusões e do seu contrário, pouco habituais, que alimentaram o quotidiano nacional.
E foi assim luminoso o dia porque a cidade se vestiu da música dos seus intérpretes e os cidadãos vaguearam por praças e ruas esconsas, com deleite, muitos apercebendo-se uma primeira vez duma nova dimensão do urbano. E à beira do Lis foi reaberta a Fábrica do Moinho de Papel, a mais antiga do país, um núcleo museológico com o traço de Siza Vieira. Quão luminoso foi o dia!


Henrique Pinto


Setembro 09


FOTO: Cartaz de Há Música na Cidade

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

PERSPECTIVAS DE SONHO


A cronologia da minha vida apressa-se a mudar de década. A ternura dos 40, cantada pelo Paco Bandeira, estender-se-á pelos 60?
Esquecer o presente para ter vivo o passado é sinal de senilidade, arteriosclerose ou coisa pior. Ter memória de elefante a partir do presente é um dos meus factores de auto-estima.
Minhas lembranças mais recuadas, nebulosas, são pontuadas por ciclones arrasadores, naufrágios, a «mulher da máquina», crimes horrendos da ladainha dos ceguinhos, a visita da Senhora de Fátima, o gato Neptuno, a brincadeira com os primos, o inaugurar da Igreja com o cardeal, o amor da querida avó Margarida, de minha mãe, do tio Armando, namoradeiro de quantas saias havia, léguas em redor e a continuar na Índia. Sabia ler e escrever aos cinco anos, uso óculos desde os seis, tínhamos de ir à capital a comprá-los. A descoberta de quanta falta me faziam nasceu no professor Amável, violenta estalada a marcar-me o rosto por dias, não conseguira reconhecer as letras na negra ardósia. Fui a segunda pessoa do concelho a licenciar-me, fiz a admissão ao liceu com quem foi o primeiro, o Cagica Rapaz, curso mais curto, meu ídolo na Académica.
Meu pai visitava-nos ao fim de semana – a vida exigente de marinheiro tolhia-o – até morarmos todos juntos em Cascais. A PIDE prendeu-o numa noite de breu, ia buscar-me mel para a constipação interminável. Prendeu-o, como a centenas de pessoas, apeadas em Lisboa, na noite da fuga de Álvaro Cunhal do Forte de Peniche. Só grande cunha e maior estima o safaram em dias. Os mesmos encómios anos depois furtaram-me à inopinada chamada a Mafra. Prossegui o curso, ansiava exercer medicina. Regressou da Guiné em caixões de chumbo quem não me pôde acompanhou naquele dia.
Em verdade, foi aquela bronquite de tristeza que ditou o meu futuro. A respirar o ar fresco de ser livre, meu pai levou-me ao Dr. Machado Macedo, amigo da família Espírito Santo. Estavam a abrir os túneis para o metro na avenida. Fascinou-me a palavra e o ar, bata branca e quadros das paredes, a certeza tranquila. Desde esse dia quis ser médico, contei-o anos volvidos ao colega ilustre, então já um amigo, melómano, um exemplo de carácter, que saudade...! Ao padre Vieira, magnânimo com todos, ajudei-o desde catraio no distribuir leite e queijo da Caritas, a catequista a perguntar-me «um dia não queres ser padre?», a heresia saiu-me inocente, sem nunca a ter ouvido em casa. A rapaziada dizia amiúde «governam-se com a mulher dos outros…», pois foi a minha deixa, óculos de tartaruga rachados, sorrisos brincalhões na vizinhança, caldinho do cura.
A professora da admissão ao liceu mostrou o texto redigido a toda a gente. «Quando eu for grande» tinha imaginação, pus-lhe palavras caras, meu pai comprava o Diário Popular e eu sorvia-o, gostava de desenhos e histórias de O Fotógrafo Não Estava Lá. Quando a minha filha Andreia redigiu «se eu fosse um peixe» aconteceu-nos o mesmo, babosos, ainda nos alegra hoje a lembrança.
E o tempo passou, o ciclo da vida torna a colocar-nos num patamar de que estivemos próximos, quase todos partiram, à dor sobrepõe-se saudade imensa, revemo-nos em quem nos retoma os passos, do sonhado há tanto ainda por fazer, as coisas novas nascem debaixo dos pés, fascinantes, à música do embalo nem a negra megera porá fim.

Henrique Pinto

Setembro 09

FOTO : Augusto Oliveira, Bernardo Espírito Santo e Cândido Pinto (meu pai), nos anos 50, todos já falecidos, no lindíssimo iate Senhora do Carmo, ao largo de Cascais (foto cedida por António Oliveira)

HOW TO WORK FOR A GLOBAL HAND WASHING DAY



Here is the next step in our Global Hand Washing Day project (a joint project of the RI resource groups in literacy, water and sanitation and health and hunger).
I am sending you a copy of a poster download which any zone-district-club in your area might use. In the case of the Rotary club where I make up, Boynton Beach-Lantana (Florida,USA), what the club plans to do is:
1. Make 600 copies of the poster.
2. Paste a Rotary sticker on each copy ( the club president's son loves to put stickers on dictionaries so he will gladly do the same for these posters).
3. Put a copy of the poster in each of the 600 dictionaries which the club will be distributing to third-graders in October.
4.On October 15th, the official Global Handwashing Day -- Make an official presentation of posters for each of the classrooms in each of the 7 elementary schools where the club does the Dictionary Project ( Hopefully with some local publicity).
There are many other things an ambitious club might do. Plenty of ideas are available at www.globalhandwashingday.org. In fact, I pulled the attached poster out of the manual which you will find on that site.
There is a problem for countries where English or Spanish is not the official language. You will have to decide what, if anything, to do about that. But note how Dr. Henrique Pinto, one of our zone coordinators, handled the problem (read the e-mail below and check out the web site which he mentions). Finally, since I mentioned Henrique, let me make you aware of the special role he is playing in our world-wide effort to eradicate illiteracy. Henrique is the leader of the organization of Portuguese-speaking Rotary districts/countries. This year he is serving as Doug Kent's zone coordinator for the Portuguese speaking countries in Africa. That arrangement was made possible first because Doug asked for it and second because President John Kenny approved of the idea. That makes three Rotary heroes for today -- Zone Coordinator Henrique, Area Coordinator Doug and President John.
The Future of Rotary Was In Their Hands and They Lived Up to the Challenge. Let them be your role models in this 3-resource group project to promote Global Hand Washing Day.

Richard Hattwick

World General Coordinator for Literacy

September 09

PHOTOS: Henrique Pinto and Walter Firmino (WHO Focal Point) at Lunda North Airport, Angola 2004; Abdulrahman Funsho (Nigeria), my friend and colleague as a physician, an oustanding member of Reach Out to Africa Committee, and Aisha, his lovely wife, Los Angeles, 2005 (Hpinto)

CASA DAS HISTÓRIAS PAULA REGO (1)



Numa manhã luminosa desta semana visitei a antiga Parada de Cascais para conhecer a Casa das Histórias Paula Rego. E que felicidade me invadiu! Pensei depois no bom gosto de tudo quanto vi, incluindo a escolha do local para tal empreendimento, e nas emoções sentidas. A história da vila como urbe moderna nasceu ali mesmo, o meu Cascais menino era até então uma ignorada aldeia de pescadores.
A 15 de Outubro de 1879 foi inaugurado o Sporting Club de Cascais, a «Parada». Nas coordenadas de hoje este recinto murado, então com dois edifícios – o Museu do Mar D. Carlos, actualmente – está frente ao Jardim Jaime Costa Pinto, à casa Henrique Sommer e à Igreja da Misericórdia, ladeado pelo Parque Marechal Carmona e Hipódromo Manuel Pussolo.
Quando em 1870 o rei D. Luís escolheu a Cidadela de Cascais para paço real, a corte seguia-o nos meses de verão. Ao suceder-lhe o filho D. Carlos, o escritor Henrique de Vasconcelos afirmava a Raúl Brandão ser «a corte na intimidade, em robe de chambre, mais fáceis as relações, mais acessíveis e amáveis, tu cá tu lá. (…) O D. Carlos fazia vida higiénica de madrugador, tirava fotografias, pintava ligeiramente algumas marinhas, sentindo o mar. Logo de manhã, saía de carro, com chuva ou com sol (demorava-se até meados de Novembro em Cascais)...».
Para além do rei e do infante D. Afonso e duma aristocracia copiosa, pertenceram a este clube políticos de primeira linha (Fontes Pereira de Melo, Barros Gomes, Serpa Pimentel, Dias Ferreira, Ferreira do Amaral), membros do corpo diplomático acreditado em Lisboa, militares prestigiados (Hermenegildo Capelo, Aires de Ornelas, Paiva Couceiro), escritores (Camilo Castelo Branco, Marcelino Mesquita), financeiros (Henry de Burnay, Jorge O'Neill, Manuel de Castro Guimarães, o parque ao lado era sua propriedade), o eminente historiador lusófono Edgar Prestage (genro da escritora Maria Amélia Vaz de Carvalho), o grande fotógrafo Joshua Benoliel, a elite local (Jaime Artur da Costa Pinto, José Passos Vela, Carlos Anjos, José Viana da Silva Carvalho). Regista-se também a presença do pai de Eça, o juiz conselheiro (e antigo deputado do Partido Progressista), José Maria de Almeida Teixeira de Queirós.
Naquele espaço realizou-se o primeiro jogo de futebol em Portugal, promovido e interpretado pela abastada família Pinto Basto.


Henrique Pinto

Setembro 09

FOTOS: quadro Amor, de Paula Rego (dowload irrestrito de site «g»), exposto em Cascais; edificio Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais

ATÉ O DIABO TEM AS MALAS FEITAS (1)



O meu saudoso amigo Francisco Lucas Pires disse-me um dia ter por boa fonte de informação para os jornalistas e políticos em visita, os motoristas de táxi que os conduzem do aeroporto até ao hotel da cidade, seja qual for a parte do mundo. Aconteceu-me também, o nativo de língua inglesa que me transportou até ao centro duma capital africana, não mais parava de arengar sobre os males do país. E a tal ponto eles chegavam! A rematar, quase explodia, «aqui até o diabo tem as malas feitas». Logo apontei esta máxima no meu caderno de notas e dela retirei o título do livro que ora foi dado a conhecer aos leitores.
Um bom naco do encadeado dos seus escritos foi produzido no compromisso com a chamada frequente dos media e para reflectir sobre os quadros significativos do mundo em contextos diversos. É sempre o frenesim da transformação incessante que os embebe. É a um só tempo paixão idílica e realidade crua, desejo e peregrinação.
As minhas viagens como consultor internacional e enquanto voluntário de causas humanitárias e apreciador de paisagens humanas ou mesmo quando participante em grandes conferências científicas, deram-me a oportunidade de construir o enredo ficcionado duma saga fabulosa, a luta para apear um dos grandes males do mundo de forma que pode ser matricial para a solução doutros estrangulamentos mor da Humanidade. Um poema épico que tem a montante e a jusante Cem Anos de Milagres, qual passada hercúlea em que se contextualiza. Nele se enxertam outras histórias como sonhos ou pesadelos, visões e reflexões sobre os tiques da sociedade contemporânea e os seus actores.
A morte pelo esquecimento é o cruel destino da maioria dos grandes fautores da vida. Perpassa nesta trama multiforme e lógica um outro fio de pensamento que estiliza traços, histórias e protagonistas do dia a dia mas com alguma ênfase no maior envolvimento solidário do mundo, praticamente desconhecido de muitos apesar de coexistir no meio de todos, de portas escancaradas.
Neste vaguear, do desencanto, nostalgia de John Wayne, à esperança correndo por tempo e distância, o grande fogo que transforma, ateado nos gestos simples e obras grandiosas, há todo um universo de avanços e recuos. Lado a lado com as pessoas comuns e os donos do planeta, dos cowboys do oeste americano aos judeus do anchlüss, das areias quentes de Gaza e Darfur aos confins da savana da África medieval ou às ruas do Haiti dos ton macoutes que persiste, damo-nos conta do avesso dos estereótipos sócio – económicos vigentes.

Henrique Pinto

Discurso de apresentação na Ordem dos Médicos, Porto, 2009

FOTOS: Clint Eastwood, actor e realizador que muito admiro, participante em vários western esparguete no início da carreira; desenho da capa do livro, da autoria de Carlos Lança, de tão saudosa memória, disse-me «foi a melhor capa de livro que fiz»

DIA MUNDIAL DA LAVAGEM DAS MÃOS, COMO CONSEGUIR FAZÊ-LO (1)



Aqui está o próximo passo no nosso projecto de Dia Mundial da Lavagem das Mãos (um projecto conjunto dos Grupos de Recursos em Literacia, Água e Saneamento e Saúde e Fome.
Estou a a enviar-lhes uma cópia do Poster o qual todas as zonas-distritos-clubes da vossa área podem usar. No caso do Clube onde eu participo, Boyton Beach-Lantana (Florida, EUA), o clube planeia fazer:
1. Fazer 600 cópias do Poster
2. Colar uma etiqueta de Rotary em cada cópia (o filho do presidente do clube gosta de colar etiquetas nos dicionários, por isso ele vai alegremente fazer o mesmo com estes posters)
3. Ponha uma cópia do poster em cada um dos 600 dicionários que o clube vai distribuir em Outubro a alunos do terceiro grau.
4. A 15 de Outubro, o Dia Oficial da Lavagem das Mãos, fazer uma apresentação oficial do Poster para cada uma das turmas das 7 escolas básicas onde o clube faz o Projecto de Dicionários ( espera-se que com alguma publicidade local).
Há muitas outras coisas que um clube ambicioso pode fazer. Muitas ideias se podem aproveitar em www.globalhandwashingday.org.
De facto eu retirei o Poster anexo do manual que podem encontrar nesse sítio.

Richard Hattwick

Coordenador Mundial para a Literacia

Setembro 09

FOTOS: Mulheres da Guiné Bissau; Henrique Pinto e esposa com os amigos Samuel Okuzeto e Priscila (Nigéria), este ano em Inglaterra

CASA DAS HISTÓRIAS PAULA REGO (2)



O recanto da Parada é-me muito familiar. Tenho maravilhosas recordações de ali ter trabalhado nas minhas férias de estudante, desde os 14 anos, e me ter sido grato conhecer meio mundo, colegas e amigos e um misto de aristocracia decadente e mundo das finanças pujantes.
O presidente António d’Orey Capucho pode orgulhar-se de ter convencido Paula Rego a aceitar ter ali o seu museu, tal o empenho desta em expor parte da sua Obra em Portugal, qual regresso figurado. A Paula Rego, estamos gratos por nos fazer felizes no aceitar o repto. Ao arquitecto Eduardo Souto de Moura entregou a Câmara de Cascais o projecto da obra, saída belíssima, funcional e simples. Pode nada ter a ver com a realidade mas aqueles torreões rosa estilizados lembram-me com agrado os do Palácio de Castro Guimarães ou o do Palácio Nacional de Sintra, ali tão perto.
Gostar de arte, seja a música, a pintura ou o que quer que seja, não requer em primeira instância formação específica alguma. Basta ser-se sensível a tal. Uma qualidade adquirida de muitas formas. Sempre me fascinaram os trabalhos de Paula Rego, as formas e a leitura dos personagens recriados. A dada altura da sua vida artística, pessoas, animais e plantas assumem um mesmo estatuto nas telas, entrecruzando-se e metamorfoseando-se, numa atitude dialéctica e num universo único de fantasioso realismo, a tradução estética mais criativa da mente humana.
A responsável pelo projecto Casa das Histórias Paula Rego, Dalila Rodrigues - fez um trabalho espantoso com a sua equipa -, escreve dois textos no catálogo da exposição, um deles, «Paula Rego e os mestres antigos da pintura», de que reproduzo um excerto de seguida.
«A complexidade e a importância da obra de Paula Rego, mesmo não considerando as distintas possibilidades técnicas, formais e conceptuais das diferentes disciplinas em que se distingue – o desenho, a pintura e a gravura -, suscitam diversas leituras e interpretações.
O modo como a artista prolonga e reinventa a tradição figurativa da pintura poderia legitimar por si só, a relação que se enuncia no título da presente abordagem. Mais, a circunstância de ter sido a primeira «Artista Associada do National Gallery», em 1990, a convite do seu director, Neil Macgregor, implicando tal convite a necessidade de produzir, ao longo do ano de duração dessa residência artística, obras inspiradas na sua extraordinária colecção de mestres antigos, coloca Paula Rego não apenas numa posição privilegiada, como abre novas possibilidades interpretativas à sua vasta obra. Sucintamente, pode adiantar-se que o modo como a artista define essa relação, reelaborando vocabulários iconográficos e formais com a imaginação e com o sentido de subversão que globalmente a caracteriza, contribui também para definir a sua singular personalidade artística. (…)»

Henrique Pinto

Setembro 09

FOTOS: Paula Rego (site (g); casa Raúl Lino, da família Espírito Santo, na enseada de Santa Marta, em Cascais (foto António Oliveira)

DIA MUNDIAL DA LAVAGEM DAS MÃOS, COMO CONSEGUIR FAZÊ-LO (2)



Há um problema para os países onde o inglês ou espanhol não é língua oficial. Têm de decidir o que fazer, se alguma coisa há para tal. Mas notem como o Dr. Henrique Pinto, um dos nossos coordenadores de zona, lidou com o problema (leiam o e mail abaixo e confirmem no sítio da internet que ele menciona).
Finalmente, a partir do momento em que mencionei Henrique, deixem-me dizer-vos que o papel especial que ele está a ter no nosso esforço mundial de erradicar a iliteracia. Henrique é o líder da organização dos países/distritos rotários de língua portuguesa. Este ano ele serve como coordenador de Doug Kent para os países de língua portuguesa em África. Este artifício foi possível, em primeiro lugar porque Doug o pediu e em segundo porque o presidente Kenny aprovou a ideia.
O que perfaz três heróis para hoje – o Coordenador de Zona Henrique, o Coordenador de área Doug e o presidente John.
O futuro de Rotary estava nas mãos deles e eles aceitaram o desafio. Deixem-nos ser o vosso modelo neste projecto dos 3 Grupos de Recursos para promover o Dia Mundial da Lavagem das mãos.

Richard Hattwick

Setembro 09

Coordenador Mundial para a Literacia

FOTO: John Kenny, presidente de Rotary International; mulheres vendendo no mercado Roque Santeiro na cidade da Praia, Cabo Verde

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

MUDAR...


Mudar de pessoas em si pouco me diz se o que importa é continuar a construir – uma Obra, condições de vida mais saudáveis, uma visão dinâmica da cultura, um concelho do futuro – e fazê-lo como até aqui sem hesitações ou feridas na ética, com coerência, ritmo, saber, empenho, sensibilidade e qualidade. Com a Dra. Isabel Damasceno a liderar a Câmara de Leiria tenho visto tudo isto consubstanciado num trabalho profícuo em estilo elegante, cosmopolita, diverso, exemplar. Para me circunscrever àquilo que ora mais me envolve em Leiria, o apoio e envolvimento da autarquia à transformação cultural é um exemplo para o país, no edificado e na maior oferta per capita nacional.

Henrique Pinto

Setembro 09

FOTO: Castelo de Leiria

A VOZ E AS PALAVRAS


A autoria dum título assim é apanágio de deuses e poetas. Ouço o muezzin, aquele chorado de ondas graves, sem quebras, apelo à oração, sobe o bairro árabe de Jerusalém ou o casario desfeito do Lahore, afloram-me as lágrimas, que tranquilidade. O cantochão de Alcobaça, os sons enrolados, monótonos do gregoriano, um canto de Amália, o gospel viril da Igreja de Martin Luther King, não carecem do ornamento ou complemento das palavras, tocam-nos no mais recôndito do cérebro, despertam desencontradas emoções. As palavras podem não ter voz, vivem quantas vezes na ponta dos dedos, nos lábios quedos, nas línguas sem ruído. Nem por isso perdem o sabor a beijos, a energia da manada de elefantes, o fel do desdém.
Ao silêncio reconhece-se a voz do garajau, o impeto do fuzil, o nadar num mar de palavras mortas, desprezo, insídia, mal ou bem-fazer, o voar num céu de palavras vivas, incentivo, coragem, patriota e voraz.
A palavra pode não ser ouvida, mesmo que dela se saiba, e ainda assim é capaz de triturar a inocência, bajular os poderosos, ser verdadeira ou mentirosa, sarcástica ou terna, submissa ou autoritária, induzir amor e ódio.
Mas a vós e as palavras estão juntas na Rádio Clube de Leiria como na prosa de Agustina ou Virgílio Ferreira, nos gestos solidários em Abéché e Belém, nos olhos largos, raiva e ternura, da Penélope Cruz em Abraços Desfeitos, nos agudos ferinos de Elisabete Matos em La Scala, no som cavo e doce do conservador Sinatra ou de Bono, homem do mundo. São belas e pouco mais no histriónico de Mick Jagger, visionárias e até horríveis no timbre aflautado, sotaque austríaco, do Marquez de Pombal.
A um tempo, silêncio e palavras, voz e gesto, voz e palavras, qual dialéctica são um caminho e o seu oposto ou confortam-se mutuamente, numa interdependência como só o aleatório dos genes pode cerzir e o cérebro humano interpretar. Juntas ou sós, de pouco valem ou a muito servem. Ao animal mais perfeito da natureza cabe ou não usá-las a talhar as suas imperfeições ou a proporcionar vida digna aos seus pares, tolerante.

Henrique Pinto

Gala do Radio Clube de Leiria 09

FOTO: Penélope Cruz

HÁ MÚSICA NA CIDADE


A convite do senhor Engenheiro José Ribeiro Vieira fui director do JL, a título gracioso, um outro serviço à comunidade, numa fase muito importante para a vida do jornal. É natural sentir franco orgulho nas suas iniciativas.
Como o Dr. Nazário bem sabe, felicitei-o vivamente pelo empreendimento. Desde o primeiro instante manifestei-lhe todo o meu empenho na cooperação do Orfeão de Leiria Conservatório de Artes, apesar de em início de época todas as colaborações externas serem difíceis. Porquanto considero Há Música na Cidade um grande momento para Leiria e sua região, um sinal de amadurecimento cultural e artístico, uma afirmação pelo belo sem redundâncias. Auguro que será repetível nos tempos. É mais uma boa marca.
Em Setembro passo sempre pelo menos uma semana na Suíça, em trabalho. Em cada ano estou agora mais vezes em Paris, em trabalho. Viena é sempre Viena. Todavia, este meu cosmopolitismo forçado não me priva de acompanhar o melhor destes países, entre outros. Os domingos de Zurique têm milhares de pessoas na rua, fruindo a arte, divertindo-se. O novo Marais sem carros está um espanto, clássico em relação a Zurique mas tão sedutor. E Viena é mesmo sempre Viena!
Claro, em ambientes destes vivi nos últimos meses o Ballet e a Orquestra Nacional da Coreia, Elton John, Seal, Chic Corea e por aí fora. Pois sim, mas Há Música na Cidade, feito com o património humano, cultural e artístico, nativo, onde prevalece o muito bom, formado pelas instituições da cidade, bem estruturado no que respeita a participações, palcos, circuitos pedonais e o quanto então se verá, é ainda mais importante. Porque é nosso. Se a cidade está a ficar bonita, povoada da gente jovem que ISLA e Politécnico lhe trouxeram, as pessoas de Leiria vão sentir-se orgulhosas desta iniciativa. Vão querer mais e mais.

Henrique Pinto

Escrito encomendado por Jornal de Leiria
Setembro 09

FOTO: Elton John

terça-feira, 22 de setembro de 2009

ORPHANS RESCUE KIT CHALLENGE AGAINST AIDS, A SUCCESS!


PDG John Eagan and Maria made shelter-box their special project in 2007-08. We have adopted the Orphan Rescue Kit (ORK) as our special project.
The ORK is a concept that can be adopted anywhere in the world where children die from preventable diseases such as Malaria, AIDS, Polio and others.
ORK embraces the established Rotary International Projects.
The first ORK initiative will be in Nairobi, Kenya, where partners Rotarians for Fighting Aids, Hope World Wide and Coca Cola, work together with the Rotary Club of Nairobi to assemble and distribute ORK’s in the slums… particularly to the Mathare slums.(…)

John Glassford

South Wales, Australia

PHOTO: Marion Bunch (Rotarians Against Aids), Irving J. Sonny Brown, Ann Brown and Marion's husband, in Viseu, Portugal 2007

O DESAFIO DO KIT DE SALVAMENTO DE ÓRFÃOS DA SIDA É UM SUCESSO!


O PGD John Eagan e Maria fizeram das casas-abrigo (shelter-boxes) o seu projecto especial em 2007-08. Nós adoptámos o kit de salvamento de órfãos (ORK) como o nosso projecto especial.
O ORK é um conceito que pode ser adoptado em qualquer parte no mundo onde as crianças morrem de doenças evitáveis como a Malária, SIDA, Polio e outras.
O ORK abraça projectos estabelecidos de Rotary International.
A primeira iniciativa ORK será em Nairobi, no Quénia, onde os parceiros Rotarians for Fighting Aids, Esperança no Mundo Inteiro e Coca Cola, trabalham juntos com o Rotary Club de Nairobi para juntarem e distribuírem Kits ORK nos bairros miseráveis, particularmente no de Mathare. (…)

John Glassford

Gales do Sul, Australia

FOTO: Marion Bunch, líder do combate à SDA, nomeadamente no Rotarians for Fighting Aids, discursando em Birmingham, Junho 2007

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

HIGH LEVEL SUPPORT FOR GLOBAL POLIO ERADICATION EFFORTS



(…) Global Polio Eradication efforts have benefited from high level support by U.S. president Barack Obama and his administration.
On 4 June during a major foreign policy speech he presented in Cairo, Egypt, president Obama announced that he would work with the organization of the Islamic Conference to eradicate polio. Then, on 11 June during his remarks to the Parliament of Ghana, he again highlighted the USA commitment to eradicate polio.
Secretary of State Hilary Clinton also included polio eradication among stated health priorities during her visit to India at the end of July.
Rotary is working to ensure that these stated commitments are backed by concrete actions (for example, we have requested that president Obama meet with his peers in the remaining endemic countries to discuss polio eradication.
At the end of July, Bill Gates travelled to India. While polio eradication was not the primary purpose of his visit, he took the opportunity to meet with the Chief Minister of Bihar State, India, to encourage his continued focus on polio eradication. During his visit Mr. Gates noted, «I have a new appreciation for how achieving, it is to vaccinate every child in the Kosi River embankment. However, we cannot let the polio eradication effort stall because it is difficult. We are ready to work with your government and all partners in the polio effort to stop transmission in Bihar and ultimately assure that their children are safe from the crippling disease».
Finally, Ann Veneman, Executive Director of UNICEF, will visit Nigeria to help launch polio immunization campaign on 1-3 August and met with Nigerian state and federal officials to emphasize the need for continued operational improvement in that country. Ms. Veneman will also meet with Rotarians in Nigeria during her visit. IPPC chair Bob Scott had encouraged her to travel to Nigeria when he met with her during the UNICEF Executive Board in June. (…)

Carl-Wilhelm Stenhammar


Chair, Polio Eradication Advocacy Task Force

A piece of Rotary Foundation Newsletter
August 09

PHOTO: President Barack Obama; Carl-wilhelm Stenhammar in thailand receiveing the Pataia city keys from the Mayor

LADY DI E AS FANTASIAS


Chegar à decisão sobre o aeroporto de Alcochete primou por ser das primeiras tomadas de posição políticas em Portugal, a exemplo do aborto legal, feita com base no parecer da ciência. Seja qual for o valor do dito. Só por si este modelo seria absolutamente louvável. Normal é reinarem os príncipes no empírico e no atávico.
Disse parecer e não veredicto, porque – com a tendência errónea de se falar a esmo em ciências exactas – as pessoas ignoram, muitos pressupostos científicos, nomeadamente em medicina, química ou astrofísica, assentam em probabilidades, e, portanto, no grau tantos de tal de segurança em que o fenómeno pode ter as características previstas.
Fica quase sempre por demonstrar se a percentagem restante não pode incluir afinal um veredicto incontornável.
Por um acaso bem extremo vi no programa da Fátima Ferreira um conhecido político arengando por Alcochete. Menos fortuito foi quando o revi há dias num aeroporto europeu dos mais modernos, a 50 quilómetros da capital, cuja transferência de passageiros se faz em 20 minutos em carruagens de luxo que chegam ao centro dos hotéis.
«Isto é um aeroporto de província!». E depois de tal dizer em voz alta foi apanhar um táxi. Deve-lhe ter custado os olhos da cara. Foi a mulher a pedir-lho porque o inglês dele devia ter sido adquirido numa loja de chineses.
Em política o jogo com os números tem os mesmos perigos.
Sócrates terá então respirado de alívio, uma coisa assim é como a panela de pressão tirada a tampa, pode-se comer descansado quando arrefecer e já não houver fumo.
As eleições são num destes amanhãs. A economia mundial continua uma treta, Teixeira dos Santos martelava-lhe o juízo, «o défice tem de baixar», ele apertava com o ministro da saúde – onde as despesas são necessariamente maiores – para cortar a eito, queimando etapas na reforma, a comunicação não explica que a criança ou a idosa não morreram por causa do hospital. Nem a ciência sabe ainda explicar a síndroma da morte súbita. E os amanhãs já são ontem. Correia de Campos não teve tempo de construir a horas os hospitais com urgências decentes, não teve quando quis os médicos suficientes, que a respectiva Ordem – como qualquer instrumento de limitação da concorrência –, levou décadas a dizer não serem precisos, assim convencendo os governos. Temos hoje o paradoxo de haver enfermeiros no desemprego quando, pela lógica, eles teriam lugar seguro em Portugal nos próximos vinte anos. Aquele que ainda agora o Banco Mundial, onde trabalhou – o ex ministro da saúde –, legitimamente considera um dos grandes especialistas do mundo, viu-se a meio da corrida afrontado com o «não há dinheiro!». Faltaram-lhe na hora os transportes (ambulâncias e helicópteros) para ter força no diálogo com as autarquias, com dotação orçamental prevista à partida, e, a formação decente dos médicos e paramédicos desta área, para o sistema de emergências funcionar. Porque instituições de saúde ao gosto de cada autarca ou novo-rico tínhamos nós a rodos, quase tantas como as dívidas acumuladas e incontroláveis pelos merceeiros de ontem.
As reformas inteligentes, mesmo as mais moderadas, implicam rupturas. Carecem tanto de explicações claras quanto de dinheiro e paciência. Felizmente não chegou a haver tempo de o partido socialista exigir claramente mudanças de pessoas – como «lucrou» a «salvadora» Manuela Arcanjo, que duplicou a despesa -, mas a reforma em parte adiada não será por isso uma desgraça mal maior para o país. Que um dia talvez fique a entendê-la, se retomada! Tal como à casa de Windsor com Lady Di, em nada ajudam aos portugueses mentalidades fantasiosas, que nem o vento forte espairece.

Henrique Pinto

In Diário de Leiria 2009

FOTO: Lady Diana, Princesa de Gales

APOIO DE ALTO NÍVEL AOS ESFORÇOS DE ERRADICAÇÃO GLOBAL DA POLIOMIELITE


Os esforços de erradicação global da polio têm beneficiado do alto nível de apoio do presidente Barack Obama e da sua administração.
A 4 de Junho, num importante discurso do ponto de vista da política de negócios estrangeiros, pronunciado no Cairo, Egipto, o presidente Obama anunciou que trabalharia com a Conferência dos Países Islâmicos para erradicar a polio.
Depois, a 11 de Junho durante as suas palavras ao parlamento do Gana, ele salientou o comprometimento de erradicar a polio.
A Secretária de Estado Hilary Clinton também incluiu a erradicação da polio entre as suas prioridades de saúde durante na sua visita à Índia no fim de Julho.
Rotary está trabalhando para assegurar que estes compromissos declarados estejam protegidos por trás por acções concretas (por exemplo, pedimos que o presidente Obama se encontre com os seus pares dos países que permanecem endémicos, para discutir a erradicação da polio).No fim de Julho, Bill Gates viajou para a Índia. Ainda que a erradicação da polio não era o propósito primário da sua visita, ele aproveitou a oportunidade para se encontrar com o ministro chefe do Estado de Bihar, na Índia, a encorajar o seu continuado enfoque na erradicação da polio. Durante a sua visita o senhor Gates notou, «Eu tenho uma nova apreciação de como consegui-lo, é vacinar todas as crianças no Cais do Rio Kosi. Contudo, não podemos deixar protelar o esforço de erradicação da polio porque é difícil. Estamos preparados para trabalhar com o seu governo e todos os parceiros no esforço da polio para travar a transmissão em Bihar e assumir finalmente que as crianças estão salvas da doença mutilante».
Finalmente, Ann Veneman, directora executiva do UNICEF, visitará a Nigéria, para ajudar a lançar a campanha de erradicação da polio em 1-3 de Agosto, e encontrar-se com as autoridades estaduais e federais para enfatizar a necessidade de melhorias operacionais continuadas naquele país. A senhora Veneman encontrar-se-á também com Rotários na Nigéria durante a sua visita. O presidente do IPPC, Bob Scott, encorajou-a a viajar para a Nigéria ao encontrar-se com ela durante a reunião do conselho executivo do UNICEF em Junho. (…)

Carl-Wilhelm Stenhammar

Presidente da Força Tarefa de Advocacia para a Erradicação Global da PolioExtracto da Newsletter da Rotary Foundation
Agosto 09

FOTO: Secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton

UNITED NATIONS SECRETARY GENERAL BIRMINGHAM SPEECH ON POLIO ERADICATION


What a wonderful gathering! I am moved by your hospitality. It is a great honour to be in this 100th Convention of Rotary International. I am also excited to be here in the great city of Birmingham. This is known the world over as the workshop of the world -- one of the cradles of the industrial revolution. Today, like so many cities, Birmingham is a green city, blending environmental practices with technologies of the future.
Looking around me, I see so many people from around the world, including my own country, Korea. I am a proud Korean – but I am also a global citizen. I know that all of you, too, may come from different countries but you share a common purpose: to make our world a better place, a more harmonious, more prosperous place.
Allow me to pay tribute to President Lee D.K. for his wise leadership of this organization over the past year.
Rotary International is like the United Nations in many ways. We are both taking action to confront global problems. We both believe in global social justice. And we are both committed to working together.
I have admired Rotary International since long before I became United Nations Secretary-General. You have played a remarkable role in my country for the past 80 years. President Lee, thank you for your contributions, especially for all that you have done to reduce infant mortality.
My appreciation for Rotary International has grown even deeper since I became Secretary-General.
Let me use a simple story to show you why.
Not long ago, a UNICEF colleague had just finished monitoring a polio campaign in Niger. She was feeling very tired and worn out. All she could think about was going home. But then, at the airport in Niamey, she saw a large group of people wearing the polio campaign colours and hats.
They were talking excitedly. Their energy was youthful though many looked of retirement age. My colleague realized these were Rotarians who had chosen to spend time in their golden years traveling to difficult places to help fight polio.
Suddenly, the woman from UNICEF felt uplifted. As she boarded the plane, she smiled and gave the Rotarians a thumbs-up. She wasn't feeling homesick anymore. Instead she felt privileged to be able to participate in this life-saving effort with these inspiring pioneers and volunteers
.
Rotarians are in every country that supports polio eradication. Your financial and material contributions are critical, but even more important are your advocacy and your presence on the ground.
Many UN colleagues have told me how hard polio eradication work can be. They are far from home, with a hot wind blowing dust in their face. They are hungry after 10 hours of non-stop field work.
Yet just when they feel too tired to continue, they see a Rotarian at an immunization booth or at a rally, always with a smile on his or her face. As one UN staffer told me, “In that moment, you feel the moral force these Rotarians bring to the polio eradication effort, and you realize that they are the heart and soul of this initiative.”
When Rotary International launched PolioPlus in 1985, more than 125 countries were still polio endemic, and at least a thousand children were paralyzed every day. Since then, you have led the Global Polio Eradication Initiative, side by side with the World Health Organization, UNICEF and the U.S. Centers for Disease Control.
Millions of Rotarians have devoted endless volunteer hours in their quest to reach and vaccinate every child all over the world
.
You have raised more than a quarter of a billion dollars.
You have met with everyone from village elders to presidents to get their support.
You have met with religious leaders to gain their confidence.
You have inspired business leaders to reach into their pockets and to speak up for this cause in the corridors of power.
And you have done all of this in the face of challenges that would have discouraged most other people: funding shortfalls, cultural barriers, lack of political will, even risks to your personal security.
In the face of such obstacles, you triumphed, and I thank you very much.
More than two billion children have been immunized. More than five million children who otherwise would have been paralyzed are walking. There are now only four countries that are still polio endemic. Rotary's vision of a polio-free world is in sharp focus.
I am with you in this great campaign. I have written to the political and religious leaders of each endemic country – Afghanistan, India, Nigeria and Pakistan – urging them to protect their children and stop the virus wherever it survives.
Earlier this year, in February, my wife and I vaccinated children in India. I will never forget one baby, playfully touching her mother's beaming face as I administered the vaccine.
It was a moment of joy. But as you know all too well, there have also been terrible setbacks.
We were all outraged when three of our colleagues were killed last September while working for polio eradication in Afghanistan. To honour their heroic efforts, I will continue to call for Days of Tranquility this year in all areas where conflict is preventing access to children during polio eradication drives.
Ladies and Gentlemen,
Now is the time to finish the job. I call on donor governments around the world to help us. Together, we can fulfill Rotary's vision and give future generations a polio-free world.
Distinguished Rotarians,
Friends,
At this time of global economic downturn, we face a crossroads. We face multiple crises.
We can cut back on health expenditures and incur massive losses in lives and capacity for growth. Or we can invest in health and spare both people and economies the high cost of inaction.
The choice should be clear. I need not remind you of the significant returns we see from investing in health. Healthy people have improved life expectancy, go to school, are more productive, take fewer days off of work, have lower birth rates and thus invest more in fewer children.
Indeed, if we fail to meet our targets on health, we will never overcome poverty and illiteracy, or achieve universal education. Health binds the Millennium Development Goals together.
Nothing will better convince the world that we can succeed than completing the historic effort to eradicate polio. It is deeply encouraging to know that the United Nations family can count on you to continue doing your part.
Indeed, our partnership is a prime example of the “new multilateralism” I have been advocating to address today's global crises. One of the hallmarks of this new multilateralism is cooperation – not just among nation-states but among all stakeholders.
All partners must come together: philanthropic groups, non-governmental organizations, businesses, academics and concerned individuals such as you. At a time of spreading awareness of our common fate, we need a stronger sense of global solidarity.
Partnerships are the way forward. Rotary International has already made tremendous contributions. We need your support in other areas, too.
I hope you will consider bringing to other major global challenges the same creativity and commitment you have brought to the fight against polio. Climate change, hunger, lack of access to energy -- these problems have their greatest impact on the poor and vulnerable. They are areas where even small contributions can make a big difference. They are ripe for your engagement.
As Secretary-General of the United Nations, it is my responsibility to help those who are poor and most vulnerable in developing countries. Helping those poor and vulnerable people is a political and moral responsibility, and I need your support. So let us explore what more we can do together. Let us deepen our partnership.
With your support, we can build strong global coalitions. We can emerge from these multiple crises. And we can usher in a peaceful and sustainable future for all the world's people, for generations and generations to c
ome.
I count on your leadership, your commitment and your support. The United Nations will continue to work with Rotary International to achieve the common goals and objectives which we have to deliver for future generations. I thank you again for the honour of addressing you.
Thank you.

Ban Ki Moon

UN Secretary General

PHOTO: ban Ki Moon

CONTRA A GRIPE A, DIA MUNDIAL DA LAVAGEM DAS MÃOS


O Dia Mundial da Lavagem das Mãos, a 15 de Outubro, é um esforço conjunto ao nível do mundo feito pelos Grupos de Recursos Literacia, Água e Saúde e Fome de Rotary International.
Devemos convidar todas as pessoas e instituições a juntarem-se a nós neste propósito.
Um dos nossos objectivos é fazer um projecto envolvendo os três grupos de recursos.
Desde já, este Dia da Lavagem das Mãos é uma oportunidade espantosa. Charles Clemmons, coordenador do Grupo Água e Saneamento, chamou a nossa atenção para ele na semana passada. Espera Clemmons ser capaz de nos dar um link directo para o seu sítio Água e Saneamento, do qual possamos fazer o download dum Poster.
Mas ninguém tem de esperar por um e mail de Charles. Todos podemos começar (e em particular os Rotary Clubs), a pensar pôr em prática esta ideia interessantíssima. Podem ir directamente ao sítio do UNICEF, www.globalhandwashingday.org que vos fornece toda a informação indispensável sobre esta medida chave para suster a contaminação pela Gripe A. Mas também para evitar a infecção hospitalar, uma das maiores pragas mortíferas dos novos tempos.
Relevamos, não basta até lavar as mãos, é necessário lavá-las bem com sabão, nomeadamente no espaço entre os dedos, nas unhas e o dorso da mão. É como a lavagem dos dentes, todos devíamos escovar também a língua mas muitas vezes esquecemo-lo.
Será isto um Projecto de Literacia? Sim, é um projecto de Literacia Funcional Espantoso!
Se personalidades como Luís Figo, Embaixador de boa vontade do UNICEF, e muitas outras pessoas e instituições paladinas da solidariedade, dessem voz a esta ideia, todos os países, todos os cidadãos, estariam mais seguros.

Richard Hattwick e Henrique Pinto

FOTO: Caricatura de Luís Figo, Embaixador do UNICEF

GLOBAL HAND WASHING DAY


We have 5 topics to cover this week. They are:

A. Global Hand Washing Day (October 15th) – A joint effort of the literacy, water, and health and hunger resource groups – Ask your districts to invite their clubs to participate.

1. One of our goals for clubs is to do a project involving our three resource groups.
2. International Hand Washing Day is one such opportunity. This was called to our attention last week by the general coordinator of the Water and Sanitation Resource Group, Charlie Clemmons. Charlie hopes to be able to provide us with a direct link to a site from which clubs can download a handwashing poster. Clubs can then print copies of the poster and distribute them to local schools.
a. But clubs don’t have to wait for Charlie’s e-mail. Instead, clubs can go directly to the UNICEF site which provides the background information and numerous ideas for club Handwashing Day projects. The address of that site is -------- www.globalhandwashingday.org.
b. When you go to that site you will find an introduction which includes the following statement by UNICEF, « The driving theme for Global Handwashing Day is children and schools and the main objectives (include)…(raising) awareness about the benefits of handwashing with soap»”
3. Is this a literacy project? Yes! It’s a functional literacy project.

B. More about the census of clubs (in your district only)

1. Is a list of projects by clubs acceptable for a report? Yes. Here are two examples, one for a very active club and one for a club which appears to have only done one project:
a. Example of an active Rotary club (list of projects planned or completed)
1) Scholarships (for 3 university students
2) Financial support for a local elementary school
3) Ferst Foundation ( support Imagination Library)
4) Dictionary project ( 5 schools, 400 dictionaries)
5) GED ( financial support for 5 adults to prepare for exam
6) International ( 2000 books to Peruvian elementary school
7) District literacy conference ( 4 members attended)
8) 10 club members read to children ( in elementary school)
b. Example of an inactive Rotary club – List of projects planned
1) Scholarships ( for two university students)
2) Nothing else reported
2. Is a matrix of projects mapped by club acceptable? Yes! I have attached an example which was prepared by D-6900 literacy chair Brenda Erickson.
3. But if you have the time and energy to do so, try to give us the level of detail found in the D-5000 report. Remember! You can view a copy of that report by going to the downloads section of www.rizones30-31.net

C. Reminder! September is New Generations Month – Look!Think! Share by reporting to the rest of us!

Each theme month presents us with an opportunity to think about the literacy challenges of the month’s theme. September is New Generations Month. So the questions we should be asking include ---(1) What literacies should young people have acquired by the time they become adults? (2) How well is our community doing? ( Who is being excluded? What are the standards of excellence and how well are they being met by our schools?). (3) How can Rotary clubs help? If you have thoughts on any of these issues, send them to your area coordinator and me.

D. Looking ahead to the Rotary themes for October and November

Plan to engage in a similar effort for the theme months of October ( Vocational Service) and November ( The Rotary Foundation Month).

E. Send in those reports of club and district ILD activities

Early reports indicate that Rotary/IRA did itself proud in promoting International Literacy Day last week. Be sure to send reports of what your zones did to your area coordinators. Once reports are in we will put together an overall report which will not only give us a chance to celebrate our accomplishment but also provide ideas for next year’s event. One of our long run goals in this regard is to achieve public recognition of our efforts by UNESCO. That organization created ILD and promotes it at the national levels. But when it comes to ILD celebrations and promotions at the local levels Rotary is probably the most significant organization doing the work. We’re largely a silent partner with UNESCO in this work so far. Clearly we have a need to work on our public image in this area. Your reports of club ILD celebrations can be used to help us raise that image.

The Future of Rotary Is in Your Hands

Richard Hattwick

General Coordinator for Literacy in the world

PHOTO: Manuel Cardona, Meinrab Busslinger (Spain), Henrique Pinto, António Hallage (Brazil) and Waldemar de Sá, in an International Membership Meeting at Leiria, Portugal

PRENDAM-SE OS CULPADOS DA CHUVA!




Em muitas ocasiões perorei sobre o baixo grau de literacia da população europeia e norte-americana. Mas tal é-me ainda insuficiente para bem compreender como se elegem pessoas tipo Berlusconi ou Sara Palin. Até me escapam as razões da escolha de Ferreira Leite para liderar um partido ou, eventualmente, o país.
Às vezes lemos o Expresso enfastiados, por hábito, noutras por esperança na objectividade maior sobre este ou aquele caso. Tal como o Público, a buscar diversidade na opinião. Na semana passada, sabe-o quem lê há algum tempo as minhas palavras, houve várias pessoas de nomeada do meu leque de simpatias, tristeza minha, a afundarem-se em descrédito a meus olhos.
Depois de saborear Abraços Desfeitos, de Almodovar, se boas leituras houve em fim-de-semana, enquanto se espera pela saída de «2666» de Roberto Bolaño, na moda depois de morto, e ouvir uma vez mais o piano de Barenboim, Inês Pedrosa e Clara Ferreira Alves – pela inusitada consonância com o meu pensamento antes expresso –, deram-me alguma tranquilidade. Não estou só nas minhas apreciações.
Porque razão há tantas doutas personalidades da economia a nunca preverem um caracol? Algumas delas blasfemam em surdina ou alto e bom som na disputa pelo lugar de Sócrates, cuja performance nada tem de inferior à de qualquer dos anteriores primeiros-ministros. Todas as desgraças lhe atiram ao rosto. Afinal o governo tudo tem de fazer e até das trovoadas é culpado. Nem um só ousa referir a situação financeira mundial.
Há uns meses um ouvinte tribuno na RDP clamava «estarmos numa ditadura». Tenho a certeza de conhecer melhor o mundo do que este ouvinte – a representar muitos cidadãos –, Ferreira Leite e muito escriba do burgo. Não é heresia nenhuma dizer-se, vivermos num dos países mais livres do planeta.
Medina Carreira com os seus números de mesa de café diz precisar duma hora de TV para fazer o «diagnóstico» do país – seguramente o que brande há trinta anos -, mas sobram-lhe dois minutos para mostrar as soluções credíveis para o seu repositório de calamidades.
Ora bem, cerca de 75% da população dos Açores – nove ilhas, várias delas bem distantes das outras, onde foi necessário infraestruturar tudo em cada uma, com três meses de bom tempo por ano, tanto Mota Amaral como Carlos César não instituíram o culto da personalidade –, depende do governo para sobreviver. Na Madeira, duas ilhas não distantes, mais povoadas, um per capita maior a saír do Ministério das Finanças, bom tempo todo o ano, um turismo secular, João Jardim - com obra, inegável (há mais quem tenha e menos esbraceje), tem semeado o seu culto pessoal à exaustão -, são mais de 85% os habitantes a dependerem do governo para viverem.
O sentido autonómico de ambos os arquipélagos é forte e centenário. Um e outro deram um contributo inestimável em épocas diferentes para a independência nacional e a pedagogia democrática, desde o século XVI, pagando bom preço por isso. Os dois primeiros presidentes da República, Manuel de Arriaga e Teófilo Braga, eram açorianos.
É tão compreensível a cedência de Sócrates a César, com o Estatuto Autonómico (porque haveria de ser diferente da Madeira!?), subscrito aliás por todos os partidos no Parlamento, como se entende a reiterada chapelada de quase todos os líderes ao reino de Jardim, e indirectamente, ao seu presidente regional. Nenhum político de bom senso quererá deixar de estar nas boas graças do povo das ilhas.
Mas a quem lembraria dizer «na Madeira é que há liberdade»!? É abismal a diferença entre o estilo elegante e a educação esmerada de Mota Amaral e Carlos César e a má educação, a rudeza, o discurso não democrático, o ar bronco, desmando e desrespeito, por banda de Alberto João. Ao presidente a quem ora jura tanta deferência chamava há algum tempo «o senhor Silva»!
Escrevi aqui sobre a televisão na América e o sucedido a Dan Rather, com as comparações inevitáveis. Não me vou repetir.
Então porquê as boutades de «asfixia democrática» e o cortejo de pressupostos bem mais incrível, ou as insinuações, como quem não quer dizer mas diz, «a ou b não falam verdade», «a senhora não é ingénua, pois não?» ou «espero que se respeite a liberdade conquistada em 25 de Abril»?
Para usar o rigor da matemática, dum político ou de qualquer líder, democrático, ou do alter ego de cada um, persisto, espero seja conhecedor de algo mais para além de economia e tenha um quotidiano de continuada boa educação e clareza, sem insinuações (a variável dependente). Porque os políticos são pessoas (a constante).

Henrique Pinto

Setembro 09

FOTOS: Manuel de Arriaga (cidade da Horta, 1840-1917) e Teófilo Braga (cidade de Ponta Delgada, 1843-1924); Alberto João Jardim

A ESCOLHA PELA ACÇÃO (1)



Viver as ideias

O sono tardava. Bulia de excitação. O Magnificat de Arvo Pärt soava-lhe ainda nos cinco sentidos. «Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida». Parecera-lhe só há instantes ter lido tal inscrição anónima gravada num banco de Central Park. Sérgio Godinho cantara-a depois. Era assim, a vida afigurava-se-lhe um dom supremo. Água-forte tal a dos versos de Goethe, «Saber não é suficiente, devemos aplicar. A vontade não é suficiente, devemos fazer!».
Sonhava? Os séculos desfilavam num turbilhão, e, não obstante, porque os olhos do delírio são outros, via tudo passar diante de si – flagelos e delícias –, desde essa coisa chamada glória até essa outra a dar pelo nome de miséria, e via o amor multiplicando a miséria, e via a miséria agravando a debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, húmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem como um chocalho, até destruí-lo como um farrapo. Não, eram palavras de Machado de Assim vindas de leituras repassadas. Via esse mal, ora mordia a víscera ora o pensamento, passeando eternamente as suas vestes de Arlequim em redor da espécie humana, como um mal menor, doméstico, contornável.
Aspirar à perfeição é apanágio dos deuses. Quando os homens quiseram usurpar esse bem precioso no pretérito chegado amontoaram uma horrenda pilha de ódios e de vermelho ocre tingiram os rios. Ah, os homens têm de viver qual Sisifo, lidando imparáveis com as imperfeições, moldando-as como à pedra de liós, sempre com veios. Como ao personagem de André Malraux, em A Condição Humana, a educação tinha-lhe imposto a convicção, as ideias não devem ser tão só pensadas, mas vividas. Por isso mesmo escolhera a acção, de uma maneira grave e premeditada, como outros escolhem as armas ou o mar.

(Continua abaixo em 2)

Henrique Pinto

Introdução à 24ª Conferência de Rotary International, Viseu, Portuga 2007

FOTOS: Marion Bunch, líder mundial contra a SIDA, Henrique Pinto, Marie Serrano e Madureira Pires, Viseu, Portugal, 2007; André Malraux, escritor francês, político e aventureiro em nome da liberdade (Paris, 1901 - Creteil, 1976)

A ESCOLHA PELA ACÇÃO (2)



O Mundo Também Mudou

Lembrou-se do que Wittgenstein escreveu. «O mundo é a totalidade dos factos, não das coisas». Os factos têm-lhe dito, o movimento planetário a que devota parte do seu afã no agir servindo, Rotary International, mantém inalterável o seu objectivo último ao cabo de cento e quatro anos de vida. Uma missão consubstanciada na paz e na cooperação mundial, assente nos princípios do companheirismo, do preito ao mérito de qualquer ocupação útil, na difusão da ética, na melhoria da comunidade pela conduta exemplar de cada um, e na aproximação dos profissionais de todo o mundo.
A maior abertura ao exterior nas duas últimas décadas, a alteração dum bom punhado de regras em Conselho de Legislação para o envolvimento mundial dos clubes no Programa Polio, as parcerias a todos os níveis, a participação crescente de mulheres e jovens, a estruturação de mais e melhores programas transversais, a arquitectura da solidariedade, a adequação dos modelos de gestão e de liderança ou os jovens aprendendo no convívio mundo fora, eis alguns sinais palpáveis duma imensa mudança pragmática, conjugada com a salvaguarda do essencial da missão da organização.
Porque entretanto o mundo também mudou.

(Continua abaixo em 3)

Henrique Pinto

Introdução à 24ª Conferência de Rotary International, Viseu, Portugal 2007

FOTOS: Irving J. Sonny Brown, António Goes Madeira e Cruz Campos, Viseu, Portugal, 2007; Ludwig Wittgenstein, filósofo (Viena, 1889 - Cambridge, 1951)

A ESCOLHA PELA ACÇÃO (3)



Gozar por mais tempo uma vida saudável e criativa

«Não quero que a minha casa seja cercada de muros por todos os lados, nem que as minhas janelas sejam fechadas. Quero que as culturas de todas as terras sejam sopradas para dentro da minha casa, o mais livremente possível. Mas recuso-me a ser desapossado da minha por qualquer outra». Esta convicção de multiculturalismo de Ghandi emocionou-o até às lágrimas em Mumbai. Define, hoje como ontem, uma medida à escala do homem para enfrentar os novos tempos.
No Relatório da UNESCO de 2004 Sakiko Fukunda-Parr é claro quando esclarece, «o desenvolvimento humano tem a ver com a possibilidade das pessoas viverem o tipo de vida que escolheram», providas dos instrumentos e das oportunidades para fazerem as suas escolhas. É uma questão, tanto de política, como de economia – desde a protecção dos direitos humanos até ao aprofundamento da democracia.
Em termos mais genéricos o Programa de Desenvolvimento da ONU, de 2007, sintetiza os princípios elementares do desenvolvimento no alargar das escolhas por parte das pessoas. Em princípio estas escolhas podem ser infinitas e mudarem com o tempo. Frequentemente mesmo, as pessoas valorizam ganhos que não se traduzem de todo, ou não imediatamente, em rendimentos ou cifras de crescimento: maior acesso ao conhecimento; melhores serviços de nutrição e saúde; vivências mais seguras; segurança contra o crime e a violência física; horas de lazer satisfatório; liberdade política e cultural e sentido de participação nas actividades da comunidade.
O objectivo do desenvolvimento, nas palavras do relator Mahbub ul Haq, é criar um ambiente favorável para pessoas poderem gozar por mais tempo vidas saudáveis e criativas.

(Continua abaixo em 4)

Henrique Pinto

Introdução à 24ª Conferência de Rotary International, Viseu, Portugal 2007

FOTOS: Rotary International e o seu processo de Literacia no mundo, em marcha; Tony Serrano, Álvaro Gomes e Irving J. Sonny Brown, Portugal, 2007

A ESCOLHA PELA ACÇÃO (4)



Pela primeira vez na História

Bem se lembra do instante em que o soube, orgulhoso. Rotary esteve presente de forma praticamente visceral na criação da Carta das Nações Unidas, há mais de 60 anos. Aí se afiançava às gerações do porvir, livres do flagelo da guerra, proteger os direitos humanos fundamentais e «promover progresso social e melhores padrões de vida cada vez em maior liberdade».
No começo do novo milénio os governos do mundo renovaram aquela promessa. Esta versão moderna é um ícone da concertação em torno dum novo padrão de integração global, construído sobre os fundamentos de maior equidade, justiça social e respeito pelos direitos humanos. Os Objectivos do Milénio das Nações Unidas reflectem assim a aspiração partilhada da comunidade humana global, num período de mudanças radicais.
A ajuda internacional é uma das ferramentas mais potentes na saga contra a pobreza. Hoje essa ferramenta é ainda mal usada e pior dirigida. Há pouca ajuda e muito da que é proporcionada só debilmente se liga ao desenvolvimento humano. Fixar o sistema de ajuda internacional continua a ser uma das maiores prioridades que os governos e as organizações humanitárias têm de encarar no presente.
Pela primeira vez na história – passado o período da guerra fria e muito embora ainda não esgotado o da criação de mercados para companhias dos países ricos –, os países doadores e as organizações viradas para a paz, têm a oportunidade de direccionar o seu apoio para o objectivo central de melhorar a condição humana, de promover a melhoria dos índices do desenvolvimento humano.

(Continua abaixo em 5)

Henrique Pinto

Introdução à 24ª Conferência de Rotary International, Viseu, Portugal, 2007


FOTOS: Ann, Irving J. Sonny Brown e Álvaro Gomes, Aeroporto Sá Carneiro, Portugal, 2007; Bandeira das Nações Unidas

A ESCOLHA PELA ACÇÃO (5)



A força duma profecia

O Plano Estratégico de Rotary International 1997-07 consagrou como objectivos a serem seguidos, duma ou doutra forma, para lá da erradicação da Pólio, da investigação quanto a um novo programa global – que se espera gire em torno do maior obstáculo à paz, a ignorância –, e de objectivos específicos para a sustentabilidade da organização, a multiplicação de projectos de serviço nas áreas de soberba necessidade. A parte maior da Humanidade tem de fruir uma vida melhor.
Este processo mobilizador vem sendo designado como Ênfases Presidenciais. Propõem soluções e métodos para o minorar daquelas dificuldades. Estão em plena sintonia com os Objectivos do Milénio das Nações Unidas, assentes nos objectivos para o desenvolvimento humano. A sua expressão numérica constrói-se com base em vários indicadores sociais e culturais, dos quais três reflectem as dimensões mais importantes: a longevidade, medida pela esperança de vida ao nascer; o grau educacional, medido pela combinação da literacia no adulto com os ratios do ensino primário, secundário e terciário; e o nível de vida, aferido pela relação em per capita do PIB, Produto Interno Bruto.
Ao relacionar o Movimento Rotário com a Educação e o Desenvolvimento Humano, fazendo interagir uma multiplicidade de variáveis estruturais e sociais ou concepções filosóficas, condicionantes da vida interna da organização e da acção face às necessidades reais do mundo, a 24ª Conferência do Distrito 1970 de Rotary International, serviu, com uma moldura pouco usual, científica, um dos propósitos mais actuais dos governos e organizações de boa vontade para a emancipação da Humanidade.

(Continua abaixo em 6)

Henrique Pinto

Introdução à 24ª Conferência de Rotary International, Viseu 2007

FOTOS: Bill Boyd com Henrique Pinto, Anaheim 2005; Cidade de Viseu, Portugal

A ESCOLHA PELA ACÇÃO (6)




A violência social e política

Rajendra Saboo intrometeu-se-lhe, demorado, no pensar. Ser Rotário é obedecer a essa voz interior que diz: «olhe mais além de si mesmo»! Ora quantas vezes se mói e remói o passado acrítica e improdutivamente!? Não foi Churchill quem lembrou, «se abrirmos uma querela entre o passado e o presente, descobriremos que perdemos o futuro»!? Na verdade, há muito que assim pensava. O minuto que aí vem é forte, jucundo, supõe trazer em si a eternidade.
Há então que olhar sem delongas quais as novas questões sociais globais, as relações do género, raciais, inter – grupos culturais ou os dispositivos de poder/saber. E mesmo os porquês climáticos ou do exaurido padrão energético. Porquanto entre tantos problemas muito sérios vivem 42 milhões de pessoas com HIV/SIDA em todo o mundo, além de 13 milhões de órfãos cujos progenitores foram vitimados por esta doença. Cerca de 2 milhões de pessoas morrem por ano por tuberculose, outra das principais causas infecciosas de mortalidade de adultos. Cento e trinta milhões de crianças em idade de aprender não frequentam a escola e dois terços dos analfabetos no mundo são mulheres. O sobreaquecimento da atmosfera raia o intolerável.As relações de sociabilidade passam por uma nova mutação mediante processos de integração comunitária e de fragmentação social – violência social e política –, e de selecção e exclusão social, pela massificação e individualização num só tempo. As práticas de violência social e política avaliam-se, nomeadamente, por abandono da agricultura, declínio das produções tradicionais, colapso dos programas de modernização, desconfiança perante as políticas do Estado, generalização do pessimismo, maior diversidade do modelo familiar, diferente sociabilidade familiar, da afectividade e solidariedade para a violência doméstica, e, por funções da sociabilidade partilhadas pela escola e pelos meios de comunicação.
A tarefa dos estrategas e o empenho das pessoas de boa vontade, promovem a sensibilização para o compatibilizar entre a atenção ao desenvolvimento humano e a resposta planetária saudável à globalização ou ao desregramento energético. E concebem esse equilíbrio sob fórmulas diversas: reinvenção das formas de solidariedade; cooperação a todos os níveis; diversificação das alternativas; desenvolvimento da inovação; práticas diversas de gestão pública; novas modalidades de organização social; diferentes estilos de participação social; redefinição do trabalho em múltiplas relações sociais; prevenção e erradicação das formas de violência social e exploração; pela imaginação de novas possibilidades humanas e de novas formas de vontade.
Rotary International, sendo uma organização global e planetária, não é uma estrutura maximalista. Tendo directivas e modos de agir universais não deixa de ter o essencial da sua força na diversidade das raízes, os clubes. Mas estes, nos seus esforços conjugados, podem gerar a gota que enche o oceano.
Está mais vigil agora. Daí todo o apelo à liderança capaz, ao envolvimento e à força anímica dum lema tão forte como o do presidente «Bill» Boyd lhe parece suscitar. Por longos anos que leve a ser ouvido! Mostremos o Caminho, crê, tem a força duma profecia.

Henrique Pinto

Chairman da 24ª Conferência do Distrito 1970 de RI

Introdução à 24ª Conferência de Rotary International, Viseu 2007

FOTOS: Mahatma Ghandi em Kathiawadi em 1915; Ban Ki-Moon, Secretário Geral das Nações Unidas; Henrique Pinto, Marcelino Chaves; Alvaro Gomes; Sonny Brown; Artur Almeida e Silva e José Augusto, Viseu, Portugal 2007